sábado, 25 de fevereiro de 2012

CINCO SENSOS


Eu estava irritado de tanto ouvir falar, dentro da nossa empresa, do tal 5S.  Pra dizer a verdade, eu nunca consegui guardar na memória a relação daquelas palavrinhas japonesas com nossa qualidade de vida e o significado de cada senso. Sempre misturei o que cada uma daquelas palavrinhas (chatas) queria dizer.

Ocorre que a: utilização, ordenação, limpeza, saúde e higiene, e autodisciplina (hã hã em português fica mais fácil) devem estar presentes nas nossas vidas, todos os dias, senão tudo tornará um grande descontrole, improdutividade, bagunça.

Observe que é fácil praticar os CINCO SENSOS.

Utilização: não se apegue a coisas ou objetos que você guarda há anos e nunca usou nem vai usar, pra nada. Roupas, sapatos velhos, abridores de lata - quebrados, faca sem ponta, relógio parado (há anos o desgraçado marca meio dia e vinte e cinco), garfos tortos, alças sem malas e malas sem alças. Jogue tudo isso fora, além de encher o “saco” dá azar. Você verá quanto espaço vai sobrar nos seus armários.

Ordenação: aprenda a guardar as coisas no lugar certo. Gaveta de calcinha não é lugar de salame nem rapadura. Pratos terão que estar, sempre, no lugar dos pratos. Separe os devedês, filmes infantis de filmes adultos, músicos de qualidade não se misturam com artistas que se apresentam no Faustão ou no Gugu, portanto, Oswaldo Montenegro, Germano Matias e Titãs devem estar separados de Michel Teló e Luan Santana, aliás, nem traga esses dois lixos pra dentro de casa. Material de limpeza tem que estar longe do arroz e do feijão. Ganhe tempo com isso. Você encontrará o que quer até no escuro.

Limpeza: tudo deve estar limpo, asseado. Nesse senso é melhor ser direto e objetivo e saber que coisa limpa cheira bem, coisa suja cheira mal - faz mal!

Saúde e Higiene: nada mais abominável que falta de higiene. Higiene é sinal de saúde e saúde é puro bem estar. A falta de higiene e asseio, pelo contrário, reflete decadência. A higiene corporal atrai a falta dela nos apequena. Importante também é a higiene mental. Esteja sempre em paz, trabalhe e viva com alegria, seja feliz!

Autodisciplina: o mais importante dos sensos.  É a manutenção de todo processo. Pratique sempre os 5 sensos e tudo melhorará no seu dia-a-dia.

Para complementar e para fechar o processo agora nos deparamos com os 3R’s, ou seja, reutilização, reciclagem e redução:

Reutilização: é o reaproveitamento, é utilizar algo aparentemente sem aplicabilidade, ex.: folhas de relatórios ou ordens de serviços concluídas e que estão impressas em apenas um dos lados. Use o verso para rascunhos, por exemplo. Viu que legal!

Reciclagem: é mandar para reprocessamento materiais que tiveram esgotadas suas utilidades. Ex.: folhas de relatórios ou ordens de serviços concluídas e que já foram utilizadas no verso como rascunho. Importante lembrar que toda matéria pode ser reprocessada.

Redução: vamos continuar usando como exemplo aquela folha de relatório ou ordem de serviço. Será que tudo que foi impresso teria mesmo que ser impresso? Já percebeu quanto de material nós usamos sem necessidade. Aqui o bom mesmo é usar a consciência. Nada mais!

Podemos até não aceitar ou não praticar os cinco sensos, porém, não estaremos usando o bom senso!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

PRECE DE UM ELETRICISTA


Esta semana resolvi homenagear um grande amigo de trabalho JOÃO MÁRIO VIRGILLI.       Ele é o autor desta “jóia” que transcrevo abaixo. Trata-se de uma prece, que relata fielmente o dia-a-dia de um eletricista.

O João Mário é referência para nós dentro da COPEL. Organizado e metódico é o que chamamos de senhor 5S. Esperamos que esse cálculo renal seja expelido e que ele volte a nos ajudar na semana que vem.

João Neto


“SENHOR: Quando o sol despenca por detrás dos morros e as luzes da cidade começam a iluminar as ruas e avenidas é que vejo o quanto me fizeste especial. Um ser fisicamente perfeito e cheio de grandes amigos.

Num pensamento auto comparativo, percebo que à mim confiaste a tarefa de ser um dos mais importantes profissionais que atuam durante a noite para que todos os demais possam ter sucesso em suas tarefas.

É quando, após as dezoito horas, vejo-me só, mas com uma responsabilidade gigantesca que é a de manter iluminada, não uma residência, mas várias cidades: desde um simples semáforo até um enorme Hospital de Clínicas. Desde o Mobral até uma Faculdade de Doutorado. Desde um ranchinho, na beira de um rio, até o Palácio do Governador.

É refletindo neste momento que Vos peço: perdoa-me por ter ignorado o significado deste tão importante trabalho e perdoa, também, àqueles que não sabem disso ou simplesmente não se importam.

Protegei-me Senhor de cabos rompidos quando energizo uma linha impossível de visualizar dentro do tempo determinado, e cubra com Vosso Sagrado Manto aqueles que por ventura estejam próximos desses cabos. Dê sabedoria àqueles que traçam as: metas, condições seguras e saudáveis para que eu possa cumpri-las – conservando sempre o bem maior que é a VIDA.

Dá-me sempre coragem, sabedoria e cautela para que eu possa conduzir o veículo da empresa por entre clientes enraivecidos, favelas mal vistas, buracos, valetas, encruzilhadas, chuvas, raios, granizo, lama, idosos, bicicletas, crianças, etc. e mostra-me, simultaneamente, o defeito da rede para que, depois de solucionado, eu possa energizá-la com a maior segurança possível, evitando que um outro Filho Teu venha a machucar-se.

Faça com que em meio a todas essas atribulações eu encontre tempo, também, para responder ao VHF e ao Q-track  e conceda a honra de poder voltar para casa, para minha esposa e filhos, todos os dias.

Assim seja: AMÉM!”

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O CAIPIRA QUE VIROU SANTO


 -“O que pode prejudicar o, super time, do Palmeiras é ter que colocar em campo seu terceiro goleiro, um jovem inexperiente, Marcos Roberto, para substituir o melhor goleiro do Brasil: Velloso!”

 Realmente, esse comentário de Luiz Augusto Maltoni (o mago da crônica esportiva), naquela tarde de domingo, ratificava o temor dos torcedores palmeirenses. O grande comentarista enganou-se e enganamo-nos todos! 

  O que aconteceu depois é, talvez, a mais espetacular história da carreira de um jogador de futebol. História recheada de grandes vitórias, derrotas, títulos, dramas, risos, admiração, respeito e, por fim, a “canonização”.

  O menino humilde de Oriente, interior paulista, ao ser escalado naquele dezenove de maio de 1996, iniciava sua trajetória pelos campos do mundo.

  Não tenho espaço no papel, nem tinta no cartucho, para descrever suas defesas, a maioria fáceis, outras possíveis, algumas improváveis, muitas inacreditáveis e dezenas de “milagres”.

  Não chamamos de milagre apenas as defesas à “queima-roupa”, as defesas após desvio de trajetória, as defesas em sequência, as defesas de penalidades (principalmente contra o maior rival).

 Chamamos de milagre a unanimidade em um meio contaminado de vermes e parasitas em busca de holofotes, de dinheiro e interesses comerciais. Chamamos de milagre a negativa em desfilar pelos campos da terra da Rainha. 


 Tanto o atleta como o Santo descobriram que a cor do manto sagrado era verde. Preferiu, envergonhado, lutar ao lado dos companheiros, mesmo ganhando três vezes menos, para ajudar a tirar o Palmeiras de divisão inferior.

  Tratava os adversários, torcedores, imprensa, enfim todos, com tamanho respeito e seriedade que o queriam nos seus times, nas suas entrevistas e na suas manchetes.

 Os alvinegros (todos) sonhavam em ter o Santo defendendo seus redutos. Apenas os tricolores,  fingiam não querê-lo, pois, alardeavam possuir um beato dentro de casa.

 Falhas é claro que houve, mas o saldo credor as fez passar despercebidas. Foi derrotado algumas vezes, mas nunca se deu por vencido. Sincero afirma ter sido derrotado pelas contusões, suas dores e complicações. O coração palmeirense o fez pensar, várias vezes, que essas dores pudessem ser suportadas.

 É, Marcos Roberto: o Maltoni estava errado, nós estávamos errados. Não acreditamos que você pudesse substituir, à altura, o MONUMENTAL Velloso. 
 Perdoai-nos – não sabíamos que você era Santo. O nosso: SÃO MARCOS!!

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

ROMÂNTICO, IMORAL OU BREGA


 Se eu disser que gosto, ou melhor, gostava do cantor Wando é mentira. Nunca comprei nem compraria um elepê ou cd do artista e não o recomendaria a um amigo.

 Mas confesso - já me peguei cantarolando: “Você é luz, é raio, estrela e luar. Manhã de sol...”.

 Ao saber do seu falecimento, antes de fazer qualquer comentário, achei por bem dar uma revisitada em suas “obras”. Algumas verdades e enganos, de minha parte, necessitam de retratação. 

 Sempre o julguei imoral, nem tanto pelas letras de suas canções, que eu mal conhecia, mas pelo artifício vulgar de colecionar calcinhas usadas ou jogar flores para suas fãs - durante as apresentações. Era tudo marketing, descobri.

 Mas voltemos às canções. Aquele compositor que eu sempre julguei banal, brega e sem noção, escrevia - além das canções de consumo popular, rimas pré-fabricadas e sem núcleo filosófico - algumas letras com a delicadeza e sensibilidade de um poeta romântico que lembra, desculpem o atrevimento, Pablo Neruda.

 É sério! E antes que eu seja mandado para a guilhotina me atrevo a transcrever algumas das citações a que me refiro:

 “Toda vez que te vejo, pelos olhos do meu coração, fico    doente de saudade”

 “Te amei suavemente e tão docemente eu me fiz teu rei”

 “No mar de rosas refletindo o céu onde o sol um dia eu vi nascer.   Por trás das pedras, luna de fumaça, e a brisa leve do amanhecer”

 “Posso até flertar alguém por vaidade, abusar um pouco da liberdade. Mas no fundo, eu sei que, a minha metade vive dentro de você!”
  Portanto, caros amigos: Além dos quadradismos, consegui enxergar     requinte nos versos do Wando.
 E para ratificar, deixo pra vocês, duas estrofes da canção “Mordida na maça”.  Veja se não é coisa de gente grande:

“Eu queria me esconder um dia desses

O QUENIANO E O CAIPIRA


 Semana de férias na praia, após as devidas contemplações e “clicks”: da serra, do mar, da areia, da Ilha do Mel ao fundo e das ondas quebrando calmas nos bancos de areia, um cochilinho na esteira era a pedida do momento.

 Eis que, num vai-vem constante, observo um grupo de quenianos... Seria treinamento ao nível do mar? Seria alguma corrida, de fundo, na praia? Ou seria um treinamento apenas para manter a forma e o histórico de vitórias?

 Senti que era hora de registrar o momento - hora de ficar famoso. Preparei minha digital e fiquei esperando o retorno dos atletas.

 Minutos depois, em alta velocidade (alta para nós simples mortais), eles apontam ao longe.... Era hora de botar em prática meu inglês semi-analfabeto, e mesmo correndo o risco de levar um não, sem perder tempo, ataco um dos corredores:

 -One click and me, please?”. Ele entendeu e parou de imediato, e após o registro do momento histórico, para mim, era hora de agradecer o “famoso” fundista: 

 -Gracias! my boy! Com essa salada - quase inglês/quase espanhol - deixei escorrer todo meu analfabetismo, mesmo assim, o atleta gentil fez aquele gesto característico de unir as pontas dos dedos indicador e polegar! Eu entendi OK...  Minha filha, ao contrário, afirmou que o gesto era para me mandar tomar...

 A verdade é que ele continuou seu treinamento, sem olhar pra trás, e seguiu litoral afora desaparecendo por entre os guarda-sóis!

 Posteriormente, descobri que estavam se preparando para a CORRIDA DO SOL – CIRCUITO PRAIAS, às dezoito horas daquele dia. Na manhã seguinte, vejo no jornal local o resultado final da corrida. Dá pra adivinhar quem cruzou a linha de chegada em primeiro? Ele mesmo, o corredor famoso do “VSF”, Edwin Kipsang, no lugar mais alto do pódio.

 Esse momento entra para sempre nos meus registros particulares, e também para a posteridade, por que não?

Esse mesmo corredor, ganhou a São Silvestre no ano seguinte... Tirar foto comigo fica famoso, mesmo! kkkk


OBJETOS VOADORES IDENTIFICADOS


 Semana de férias: praia, sol, mar, camarão à paulista, poses, fotos, biquínis, além de muita areia no fundo da cueca e também sobre os lençóis. O apito dos salva-vidas alertava os desavisados da violência das ondas.

 Entre mergulhos e cochilos, volta e meia, um objeto voador motorizado realizava rasantes a menos de trinta centímetros de nossas cabeças. E não eram apenas ultraleves e paramotores. Monomotores arrastavam faixas de propaganda, jatos decolavam de Paranaguá sentido Curitiba, deixando além do risco branco no céu um barulho similar ao do secador de cabelos. As gaivotas e quero-queros se misturavam aos planadores com seus vôos silenciosos.

 Porém, a aeronave que mais me causou, ou melhor, me causa inquietação é o helicóptero. De todas as máquinas voadoras, motorizadas, é a única não alada. Ele desafia toda e qualquer lei da física, pra ser sincero, desafia até Sir Isaac Newton.

 Os helicópteros, pelo seu design, não possuem qualquer recurso aerodinâmico. Trata-se de um bloco em metal que, quando em queda, despencam na vertical. E se as hélices estiverem girando, quando dessa queda, caem em parafuso.

 Proporcionalmente os helicópteros parecem um girino gigante, que na metamorfose esqueceram de ejetar suas caudas, e ainda enroscaram um cata-vento na nuca. O motor parece que vai apagar a qualquer instante, imitando em muito, o motor de um engenho de moer cana.

 Podem me convidar para saltar de para-queda, pular de “bungee jump”, voar de balão ou deslizar em uma tirolesa.  Mas entrar em helicóptero nem amarrado. Ulisses Guimarães e Severo Gomes, entraram numa máquina dessas em outubro de 1992 e ainda não voltaram para contar a história. Em política e helicóptero é melhor que não embarquemos, nunca. Os dois tendem a nos derrubar, sem contar que, vez em quando nos faz desaparecer!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

BRINQUEDOS


 O Arnaldo, eu (João) e o Lelo (Ulisses) somos os filhos mais novos do José e da Conceição. O Lelo nasceu em 1958, eu em 60 e o Arnaldo em 62, uma diferença de apenas quatro anos entre nós. É natural, portanto, que a gente tenha compartilhado, quase todos momentos da infância e adolescência.

 Quando ainda éramos muito crianças, ganhamos de presente, de Natal, de nossos pais, três brinquedos, respectivamente: um trator, um jeep e um trenzinho. Que alegria deliciosa! Ficamos dias brincando com os presentes em volta da casa onde morávamos.

 O que não sabíamos, aliás, não tínhamos nem noção,  é que aqueles seriam os últimos presentes de Natal que ganharíamos de nossos pais, afinal, o José estava passando por dificuldades financeiras seriíssimas, praticamente “roendo o osso”.

 O tempo passou e a pobreza nos acompanhou durante anos. Muito cedo fomos à luta. Vendemos salgados, catamos sucatas de cobre nas ruas, fomos leiteiros, engraxates, até pacotes de peras vendemos para um vizinho, senhor Getúlio.

 Tempos depois, mais crescidos, debutamos em empregos específicos dos jovens pobres: eu me tornei auxiliar de serralheiro, o Arnaldo cobrador de uma vidraçaria e o Lelo foi vender frutas no caminhão do Renato (aquele que vendia barato!).

 Uma coisa é certa, tivemos uma base de estudos muito boa, no tempo em que o ensino público era levado a sério e os alunos respeitavam seus mestres. O Arnaldo estudava no Sesi, enquanto eu e o Lelo estudávamos no Grupinho.

 Algum desavisado, algum dia, deve ter questionado: - Como que será o futuro desses três?

 Pois então, tomo a liberdade de retratar o que foi feito de nós:

 O Arnaldo (o mais intelectual e craque de bola) comeu pedra, superou barreiras  sem clamores.  Tornou-se bancário, fez carreira na Caixa Federal. Casou-se com Estela, mulher de fibra, tiveram  três filhas adoráveis: Daniele, Ana Paula e Natália.  Tão bonitas - quanto educadas.

 O Lelo (o mais extrovertido) iniciou carreira na Prefeitura de Ourinhos. Inicialmente como jardineiro de beira de estrada, depois motorista. Numa das tarefas como motorista, foi indicado para levar o juiz de direito da comarca local para uma conferência em São Paulo. Tornou-se a partir daí o “fiel escudeiro”, parceiro, cúmplice e amigo do Doutor Holgado. Estão juntos a mais de 20 anos. Ditinha é sua grande companheira e dessa união nasceu Roberto e Tânia. Humildes, inteligentes e bem encaminhados.

 E eu (o mais perseverante e mais irrequieto), fui serralheiro (dos bons), bancário, caminhoneiro, entre outras atividades. Hoje, técnico eletricista comercial e de manutenção de média e alta tensão. Trabalho na Cia Paranaense de Energia, pai de dois filhos espetaculares, de inteligência invejável -  o Rafael (estudante de sistema de informação na Uenp – Campus Bandeirantes) e da Bruna (estudante de matemática na Universidade Federal Tecnológica do Paraná – campus Cornélio Procópio).

 Casei-me pela segunda vez, com Flávia, companheira do recomeçar do zero, companheira de luta, parceira no mesmo coração. Trouxe com ela outras duas jóias:  o João Neto e a Brenda. Aliás, a Brenda e o Rafael estão misturando as estações, mais isso é assunto para o próximo capítulo!

 Fica a expectativa de que, se em algum dia, os netos do Arnaldo, do Ulisses e do João sentarem para brincar com um trator, um jeep e um trenzinho e resolverem falar sobre os avôs, certamente, dirão: - Eles foram três vencedores!!! 

 E foram mesmo!